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Bebidas açucaradas: uma questão de responsabilidade

09/11/2017

A Associação dos Fabricantes de Refrigerantes do Brasil – Afrebras sempre teve e tem objetivos muito claros e transparentes em sua atuação na defesa do setor de refrigerantes em nosso país. O norte do nosso trabalho está sustentado pela igualdade, pela justiça e pelo o que é correto.

 

Somos obrigados, diante de tantas e evidentes arbitrariedades no setor de bebidas, a promover diversas discussões, dentre elas a tributária. O pequeno fabricante arca com uma tributação muito maior que a do grande. Isso porque aquele não tem acesso às mesmas benesses do último. É por isso que estamos permanentemente à frente da abertura de discussões.

 

Quando levamos propostas de ajustes relacionadas à tributação aos parlamentares, mostramos e provamos que o cenário da desigualdade é incontestável no setor. Não levamos maniqueísmo, não desinformamos e não confundimos. Somos claros, abertos e corretos com nossos ideais.

 

Para ilustrar um lado da desigualdade setorial, fomos até o Polo Industrial de Manaus. Estudamos as práticas das indústrias de concentrados. Analisamos os valores por quilo do concentrado, o volume de produção, os empregos gerados e outros números que estão à disposição de qualquer brasileiro. Podemos afirmar que é uma conta clara. A sociedade brasileira devolve aos cofres das grandes corporações R$ 0,37 por lata de refrigerante consumida em nosso país. É um absurdo, mas é exatamente isso que acontece!

 

Essa aberração não é apontada somente pela Afrebras. A própria Secretaria da Fazenda Nacional também vê dessa forma. Nos últimos anos, o órgão vem lançando autos de infração por aproveitamento indevido de créditos tributários para as empresas do polo industrial da Zona Franca de Manaus (ZFM).

 

Os preços dos produtos das multinacionais, que hoje usam créditos por impostos que não pagam, irão subir quando for dada uma solução definitiva a essas práticas. Arriscamos dizer, com profundo conhecimento, que os preços dos produtos poderão subir mais que os 40% anunciado pelas grandes corporações. Com isso, o Brasil dá fim aos preços subsidiados e incentivados dos produtos das grandes corporações.

 

A distorção causada por essas empresas é tamanha que é levada para outras esferas de debate. Recentemente, por exemplo, levantou-se a problemática do consumo intensivo de açúcar em nosso Brasil. Esse assunto foi trazido pela Organização Mundial da Saúde, endossada pelo Ministério da Saúde e pelo Ministério do Desenvolvimento Social. Muito embora não sejamos o único setor que carrega o açúcar nos seus produtos, as discussões se iniciaram pelo refrigerante. Assim, foi numa audiência pública realizada pela Comissão de Seguridade Social e Família que tivemos a oportunidade de compreender muito melhor o assunto.

 

Enfim, nós como entidade representante da indústria de refrigerantes, não podemos, por interesses industriais, dar as costas ao problema. Seria leviano e irresponsável. Saúde é assunto sério, importantíssimo. Fazemos, junto aos nossos associados, um debate constante sobre as tendências de redução de açúcar. Também devemos ter em mente que não participar da discussão de uma política pública que atinge o setor é aceitar o que vier, da forma que vier. Ao nos anteciparmos e participarmos ativamente dos debates, temos muito mais chance de entender melhor o assunto e desmistificar a controvérsia.

 

Se as soluções para os problemas da desigualdade setorial passarem pelo fim das empresas de concentrados no Polo Industrial de Manaus, não temos como nos opor.

 

Da mesma forma, se ficar estabelecido que o Brasil vai adotar uma tática de elevação de preços para reduzir o consumo de refrigerantes, também não teremos porque nos opor.

 

Por fim, não poderia deixar de assegurar que as lutas da Afrebras sempre serão alicerçadas no que é correto, justo.

 

Assim, conseguimos aproximar a indústria de bebidas nacional do contexto real da sociedade brasileira.

 

* Fernando Rodrigues de Bairros é presidente da Associação dos Fabricantes de Refrigerantes do Brasil (Afrebras).

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