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Oligopólio no setor de bebidas traz prejuízos à concorrência

Grandes empresas detêm mais de 70% do mercado brasileiro.

Por Portal de Bebidas Brasileiras| 07/04/2021

O setor de bebidas no Brasil é caracterizado por ser um oligopólio, ou seja, poucas empresas possuem a maior fatia de mercado disponível. Essas empresas atualmente são Coca-Cola e Ambev, que juntas detém uma fatia acima de 70% do mercado geral de bebidas brasileiro.

Segundo o presidente da Associação dos Fabricantes de Refrigerantes do Brasil (Afrebras), Fernando Rodrigues de Bairros, essa característica de mercado traz diversos prejuízos à concorrência, inicialmente por causar uma barreira à entrada de novos competidores, uma vez que devido à concentração é necessário um elevado investimento em marketing e publicidade para se ganhar uma ínfima participação de mercado.

“Somado a isso, esse novo competidor fica à mercê do poderio econômico já existente dessas empresas, que podem facilmente realizar ações com objetivo de retirar pequenos concorrentes do mercado, seja por rebaixes de preço esporádicos e focados na região atendida pelo concorrente ou por solicitações de contratos de exclusividade com clientes específicos, práticas comuns no mercado brasileiro”, analisa Bairros.

Tais distorções, por óbvio, também impactam em empresas já inseridas no mercado, que muitas vezes conseguem se manter minimamente competitivas por terem décadas de história em sua região, gerando um vínculo afetivo com sua marca.

Um fato característico do setor de bebidas no Brasil é que esse oligopólio não veio de forma “natural”, ou seja, advindo de vantagens competitivas de uma empresa perante a outra. “O que houve foi uma sucessão de interferências governamentais no setor, seja pela concessão de benefícios fiscais para poucas empresas escolhidas “a dedo”, seja pela autorização com justificativas técnicas, no mínimo, questionáveis, de fusões de empresas do segmento de bebidas”, critica.

Essas vantagens concedidas pelo governo a essas empresas são também uma consequência da concentração de mercado, uma vez que essa concentração levou a lucros extraordinários, que por sua vez levou ao maior poderio econômico e, desta forma, maior influência no meio político.

“As grandes corporações contam com equipes inteiras responsáveis apenas pela área de relações governamentais, buscando 24 horas por dia formas de aumentar sua “fatia” de mercado usando como instrumento o meio político brasileiro e mundial”, observa Bairros.

E o prejuízo mais grave da concentração fica a cargo do consumidor que, por fim, usufrui de produtos com preços mais elevados e em menor quantidade de escolha do que em um mercado realmente competitivo, ou seja, ele tem sua renda prejudicada, além de seu poder de escolha ficar limitado a poucas marcas. “Para que tal cenário seja amenizado é imprescindível que as injustiças existentes sejam resolvidas, pois o que se tem são diversos concorrentes brigando em um campo de batalha, onde alguns têm uma armadura dada pelo Estado, e os demais abandonados à própria sorte”, lamenta o presidente da Afrebras.

Um ponta pé inicial para reverter essa situação seria que qualquer concessão de benefícios fiscais fosse concedida a setores inteiros da economia e não apenas a alguns CNPJs. Para concluir, Bairros cita Aristóteles: “Igualdade é tratar igualmente os iguais e desigualmente os desiguais, na medida de sua desigualdade”.