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Posicionamento | Pepsico encerra as atividades no Polo Industrial de Manaus

03/12/2018

Entidades do setor de refrigerantes apontam incongruência entre número de funcionários e faturamento; concorrência desleal do setor causa fechamentos de fábricas desde 1960.

 

 

A PepsiCo confirmou o encerramento das atividades no Polo Industrial de Manaus (PIM) ontem, 02 de dezembro, por meio de comunicado oficial da assessoria. Não foram informados números do quadro de funcionários nem os principais motivos. Embora seja especulado que o fechamento tenha a ver com o decreto de maio que reduziu as alíquotas de IPI, a nota da PepsiCo afirmou que o objetivo foi “administrar eficientemente nossas operações em todo o Brasil e posicionar a empresa para um crescimento de longo prazo”.

 

É sabido e notório que as fábricas instaladas no PIM são berço de um planejamento tributário que distorce e prejudica a concorrência e a sociedade brasileira. A indústria de concentrado da Pepsico, por exemplo, empregava, segundo dados da Suframa, somente 88 funcionários e faturava mais de R$ 500 milhões ao ano (vale lembrar que, quanto maior o faturamento, maior é a transferência de crédito de impostos dentro da cadeia produtiva).  A Pepsico não tem fábricas de engarrafamento no Brasil, sua única atividade é a produção de concentrados.

 

O esvaziamento das fábricas de concentrados localizadas no PIM vem ocorrendo ao longo dos últimos anos. Existiam 28 empresas no PIM em 2015; hoje são 21 em funcionamento, que geram 797 empregos no total. O faturamento dessas empresas em 2015 foi de pouco mais de 10.2 bilhões; já em 2017, foi de 8.5 bilhões, queda de mais de R$ 1.4 bilhão (14,54%) que significou redução de 37,07% no volume produzido.  O valor por quilo comercializado aumentou mais de 35% em relação ao valor do ano anterior. A tendência do faturamento para o ano de 2018 das fabricas de concentrados é de R$ 11.1 bilhões, com base nos faturamentos de janeiro a agosto. No mês de setembro, as empresa de concentrados faturaram R$ 244 milhões, o que confirma a tendência de repetição do faturamento de 2015 em 2018.

 

Entre as razões do esvaziamento no polo de concentrados estão as autuações da Receita Federal, que já somaram mais de R$ 6 bilhões por apropriação de créditos indevidos, e as investigações de superfaturamento de produtos oriundos da região.

 

 

O setor nacional de bebidas, por meio da Associação dos Fabricantes de Refrigerantes do Brasil (Afrebras) e do Sindicato Nacional da Indústria de Refrigerantes (Sindirefri), que lutam por isonomia e por equilíbrio no setor de bebidas, lamenta o impacto que a decisão pode ter no cotidiano dos funcionários da PepsiCo, mas reconhece que o fechamento é consequência do uso desmedido dos créditos tributários no PIM.

 

A Afrebras e o Sindirefri defendem a igualdade tributária e a justiça concorrencial no setor de bebidas brasileiro há anos. Em 1960, de acordo com números do IBGE, havia 892 fábricas de refrigerantes no Brasil, número que diminuiu para 235 em 2015.

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