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Redes de supermercados privilegiam grandes grupos e prejudicam pequenos

Concentração de mercado no Brasil é tóxica para negócios regionais, diz Afrebras.

Por Portal de Bebidas Brasileiras (Afrebras)| 30/03/2021

Em uma rápida visita ao Carrefour – veja o vídeo -, qualquer consumidor irá notar sempre a mesma situação – a rede mantém espaços reservados para produtos dos grandes grupos do setor. Em torno de 95% dos espaços são cedidos àquelas empesas que podem pagar, excluindo os que não podem. “Isso prejudica tanto as empresas regionais, como os consumidores finais, que ficam com suas escolhas reduzidas na ida ao supermercado, situação totalmente anticoncorrencial”, explica o presidente da Afrebras (Associação dos Fabricantes de Refrigerantes do Brasil), Fernando Rodrigues de Bairros.

No Brasil, a concentração de mercado corre solta há muito tempo, e é dentro do setor de bebidas onde é registrada a maior concentração mercadológica já legalizada pelo poder público, mas, infelizmente, nos últimos tempos, tal prática também vem se tornando comum em outros setores.

Como exemplo, recentemente foi anunciado que o Carrefour adquiriu o Big – proprietário de algumas marcas como Sams Club, Maxxi, Todo Dia e a própria rede de hipermercados Big. A partir daí, neste segmento, inicia-se um processo de concentração como ocorreu no setor de bebidas.

Para o setor de bebidas, representado pela Afrebras, essa aquisição não é boa, pois vai piorar ainda mais a distribuição dos produtos regionais. “As pequenas empresas já não conseguem colocar seus produtos em lojas como as do Carrefour em função das negociações impostas pela rede”, analisa Bairros.

É claro que um fabricante regional não conseguirá negociar as mesmas condições de desconto e para a compra de espaços que uma empresa multinacional, no entanto, devido à sua história mercadológica na região, esse refrigerante regional tem uma alta demanda, mas que é minimizada pelas redes varejistas, principalmente reduzindo seu espaço em gôndola.

Sendo assim, essa aquisição fomentará ainda mais a desigualdade já existente no setor de bebidas no Brasil, que por óbvio irá apenas beneficiar os grandes grupos econômicos, como por exemplo Ambev, Coca-Cola, Heineken e o grupo Petrópolis, que juntos possuem mais de 90% do faturamento do setor em nosso país.

Com o agravamento da desigualdade no setor, consequentemente a concentração de mercado perpetuará no setor de bebidas, pois aos pequenos são impostas as mesmas condições do grande, e por não terem condições de concorrer, perdem espaço nas prateleiras no maior canal de distribuição.

“Essa aquisição vai ser aprovada sem restrição pelo Conselho Administrativo de Defesa da Econômica (CADE), órgão brasileiro que é responsável pela regulação. Eles vão seguir na mesma toada e irão autorizar mais uma barbaridade contra o segmento de bebidas regionais. Fica nosso registro!”, lamenta Bairros.