Fazenda eleva projeção da inflação para 4,5% após alta do petróleo
O barril de petróleo ultrapassou os US$ 110 em meio ao agravamento do conflito no Golfo Pérsico.
Por Portal de Bebidas Brasileiras| 18/05/2026
Opções de Acessibilidade
Ouvir Notícia
O Ministério da Fazenda revisou de 3,7% para 4,5% a projeção oficial da inflação para 2026, levando a estimativa ao limite máximo da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). A atualização consta no Boletim Macrofiscal divulgado nesta segunda-feira (18) pela Secretaria de Política Econômica (SPE).
Segundo o governo, a principal pressão inflacionária veio da alta do petróleo no mercado internacional, impulsionada pelas tensões no Oriente Médio. O barril da commodity ultrapassou os US$ 110 em meio ao agravamento do conflito na região do Golfo Pérsico.
De acordo com a SPE, os impactos sobre os combustíveis e derivados explicam boa parte da revisão da inflação para este ano.
“A perspectiva de maior inflação no ano reflete, principalmente, desdobramentos do conflito no Oriente Médio sobre os preços do petróleo e seus derivados”, informou o relatório.
Apesar da piora no cenário inflacionário, o Ministério da Fazenda manteve em 2,3% a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para 2026. Para 2027, a expectativa também foi preservada em 2,6%. A equipe econômica avalia que a atividade deve desacelerar nos próximos meses em razão dos efeitos da política monetária restritiva, mas projeta recuperação gradual no fim do ano, especialmente da indústria.
O governo também afirmou que parte da pressão causada pela alta internacional do petróleo poderá ser compensada pela valorização do real frente ao dólar e por medidas adotadas para reduzir o repasse dos combustíveis ao consumidor.
Com a revisão, a projeção oficial de inflação ficou exatamente no teto do sistema de metas contínuas, que prevê centro de 3% e intervalo de tolerância entre 1,5% e 4,5%.
As projeções do governo seguem acima das metas, mas ainda mais otimistas do que as estimativas do mercado financeiro. Segundo o boletim Focus, divulgado semanalmente pelo Banco Central, analistas projetam inflação de 4,92% e crescimento econômico de 1,85% neste ano.
O Boletim Macrofiscal serve de base para a elaboração do Relatório Bimestral de Avaliação de Receitas e Despesas, documento que orienta a execução do Orçamento federal e pode indicar bloqueios e contingenciamentos de recursos.