
A escolha de manter as bebidas açucaradas dentro do Imposto Seletivo gera uma vilanização de um setor de produtos que contribuem para o crescimento da economia nacional, tanto com a geração de empregos e renda quanto com o impulsionamento de vendas do comércio.
Vilanizar um produto ou até mesmo resumi-lo a apenas uma função, sem levar em conta aspectos individuais de cada consumidor e suas características sociais, culturais e econômicas, ganha o nome de Terrorismo Nutricional. Nesse sentido, para combater a obesidade e outros problemas de saúde, como o governo argumenta na proposta do imposto, seria necessário considerar os hábitos alimentares de cada indivíduo e o produto consumido como um todo, tendo como objetivo final o bem-estar físico e mental.
No setor de bebidas, o consumo de produtos envolve uma relação afetiva. Está culturalmente associado a comemorações e momentos de alegria, como por exemplo, festas de aniversário, feriados como Páscoa e Natal, churrascos no fim de semana, entre outros.
Logo, mais que aumentar o preço dos produtos, o investimento em ações de conscientização e educação nutricional são essenciais, pois as causas da obesidade são multifatoriais. O Ministério da Saúde aponta, por meio de seu Sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), que as bebidas açucaradas representam apenas 1,7% da ingestão calórica do brasileiro.
Além disso, países como México, Reino Unidos e Dinamarca já comprovaram que o aumento de tributos sobre bebidas açucaradas não é uma medida segura para a economia. O resultado nesses países foram inflação, aumento de preços, queda na arrecadação e desemprego, sendo os maiores prejudicados aqueles de renda mais baixa.
Com todos os argumentos e dados apresentados, fica clara a necessidade de repensar a decisão tomada pelo governo, levando em conta a realidade cultural e econômica brasileira.
