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Ineficiência da Zona Franca de Manaus na geração de empregos formais

Em meio à leve queda no desemprego, número de trabalhadores informais no Amazonas aumenta

Por Portal de Bebidas Brasileiras| 20/03/2020

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Contrariando informações positivas de políticos amazonenses, pesquisa do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) revelou que, apesar da leve redução do desemprego no país, trabalhos informais crescem no Amazonas. Mesmo com modelo econômico que concede incentivos fiscais em troca de geração de emprego e crescimento da economia no Estado, os números desmascaram a efetividade da Zona Franca de Manaus.

O levantamento do IBGE aponta que o Amazonas tem 1.657 milhão de pessoas no montante da força de trabalho e, destes, 967 mil são informais. Um dos supervisores do instituto no Amazonas, Adjalma Nogueira relata que o Estado possui muitos trabalhadores informais e isso ocorre pelo desemprego. “O percentual de trabalhadores informais no Amazonas é bem acima da média nacional, e bem acima de alguns outros estados. Então, nós temos um quantitativo de trabalhadores na informalidade muito alto”, assevera.

A Afrebras (Associação dos Fabricantes de Refrigerantes do Brasil) reforça a preocupação para que o governo fiscalize, de forma efetiva, a região. De acordo com a entidade, as multinacionais de bebidas instaladas na Zona Franca de Manaus, como Coca-Coca, Ambev e Heineken, não geram mão-de-obra para a população na mesma proporção dos benefícios que recebem.

De acordo com portal de notícias G1, políticos amazonenses chegaram a afirmar que a região da Zona Franca de Manaus ainda é motor da economia do Amazonas. No entanto, Nogueira afirma que “muitos trabalhadores estão migrando para a informalidade porque perderam seus postos de trabalho normal. Portanto, eles estão indo para informalidade para poder ter um ganho, um recurso, um rendimento, já que os postos formais diminuíram sensivelmente nos últimos anos”.

Em vídeo reproduzido pelo Portal de Bebidas Brasileiras, moradores de Manaus, a capital do Amazonas, reclamam da miséria vivida pela falta de empregos na região. Assistente social, Francineide Fernandes chegou a revelar à equipe de reportagem da TV Folha, em 2018, que, em consequência da queda de efetividade do modelo de desenvolvimento econômico, os desempregados começaram a invadir terrenos para tentar conseguir moradias.

O modelo econômico da Zona Franca de Manaus chega a renunciar cerca de R$ 24 bilhões através de isenções fiscais. Criado em 1960 e oficializado em 1967 durante o governo militar, o Polo Industrial de Manaus deve favorecer a geração de emprego, preservação do meio ambiente e desenvolvimento regional.

Francineide afirma que, em um bairro na zona leste de Manaus, quase toda as famílias que ali residem estão desempregadas. “Quando você entra na casa [das famílias], você vê que aquela pessoa realmente está em uma situação precária”, descreveu a assistente social.

Presidente da comunidade Coliseu I, em Manaus, Walmério Martins chega a classificar a população do Amazonas como “abandonados”. “Moram hoje aproximadamente aqui [na comunidade Coliseu], de sete a oito mil famílias. Se a gente for fazer um levantamento aqui [sobre pessoas que vivem de empregos da Zona Franca de Manaus], por alto, você vai encontrar aqui dentro de 10% a 15% dos moradores. É muito pouco”, lamentou ele.